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Mostrando postagens de 2012

Feliz Era Nova

Trinta e um de Dezembro de dois mil e doze. Hordas de jovens reúnem-se tristes em um famoso parque para tomar chá e pensar no que farão daqui para frente. Há anos esperavam pelo fim. Crentes na chegada da Nova Era e no fim do calendário maia, esperaram o ano todo pelo fim do mundo, ou, ao menos – para os mais conformados -, do atual modo de ser do mundo. Dois mil e doze era um ano há muito esperado. O momento em que o mundo se transformaria, passando por uma revolução espiritual, ou uma ascensão dos bons de espírito, ou algo assim. Após bom tempo discutindo qual seria a dinâmica da reunião, as centenas de jovens reunidos fizeram uma dinâmica de abertura. Dez minutos de meditação, vinte minutos de yoga, dez minutos de silêncio. Pausa para o chá. Uma parte entoou Hare Krishna, Krishna Krishna, seguida por alguns ooooommmms e umas batidas em tambores indígenas. Então chegou o momento crucial da reunião: o que fazer agora que o mundo não havia acabado? A tristeza era geral. A angústia, total…

Um Vegano na Festa

Um Diálogo Racional

(2009)
Certo dia, um pequeno grupo de amigos e amigas, algo entre cinco e seis jovens, encontrava-se em um bar, quando avistaram, ao longe, religiosos passando, felizes, cantando em grupo. Um dos amigos enervou-se. E o debate teve inicio.
- Pleno século XXI e esses porras ainda acreditam nesse monte de merda! - Calma, talvez haja coisa boa entre eles... Valores, respeito... - Pode haver, mas são educados a achar que é bonito acreditar em algo que não se pode provar racionalmente. E isto é nefasto! - Mas provar algo racionalmente faz este algo ser menos nefasto? – Claro! A razão é nossa única forma de checar a veracidade de algo, pô! – Eu já acho que razão é criada pelo próprio pensamento, então é de menor importância que coisas mais profundas. – Coisas mais profundas? Do que está falando? Eu não sou contra sentimentos, valores, essas coisas, mas sem razão, só com sentimentos, voltaremos à barbárie. - Ou sairemos dela... – Tendo a concordar com você... - Vocês estão ficando loucos! - Ei, calma, eu …

O Cientista e o Místico (2ª versão)

O cientista diz pro místico que sua crença não é real. Não é baseada em evidências. O místico diz que são, mas as evidências são percebidas apenas se procuradas.
O cientista diz que as evidências do místico não são empíricas. O místico responde que é porque os sentidos do cientista não o permitem perceber.
O cientista diz que o místico está vendo o que deseja, percebendo aquilo que condicionou a mente a querer perceber. O místico responde que o cientista também.
O cientista responde.O místico também.
E eu gargalho para a chuva.