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Apoiadores, opositores e mediadores

Havia, entre os apoiadores, aqueles tão coerentes, mas tão coerentes com a própria doutrina, que não reconheciam brechas para dialogar com a ala mais radical dos opositores. Cientes do horror desta decisão, viam apenas matá-los como solução para que o discurso opressor que sustentavam se extinguisse.
Entre os opositores, havia alguns tão coerentes, mas tão coerentes com a própria doutrina, que não reconheciam brechas para dialogar com a ala mais radical dos apoiadores. Cientes do horror desta decisão, viam apenas matá-los como solução para que o discurso opressor que sustentavam se extinguisse.
Havia, contudo, certa ala com espirito mediador, que conseguia localizar brechas para o diálogo com apoiadores e opositores, ainda que achasse ambos os discursos opressores.
Possibilitar o diálogo foi visto como alienante por opositores e apoiadores, que uniram suas forças para matar os mediadores.

O Nada # 02

(2015)
No início, havia o nada.
Mas este nada,
Como tudo no Universo,
Era incompleto.
Nesta incompletude, algo havia.
E este algo, insignificante à paisagem,
Poder detinha de o nada destruir.
E o destruiu.
No tudo fundado, a incompletude persiste.
E o nada anda sempre à espreita.

Olim Lacus Colueram

Há composições eruditas que alcançaram conhecimento popular, mesmo que boa parte das pessoas desconheça qualquer informação sobre tais obras: autor, período ou intenções. Exemplos são a Primavera de Vivaldi, a Marcha Fúnebre de Chopin e a Marcha Nupcial de Felix Mendelssohn. Outra música que atingiu este patamar é O Fortuna de Carl Orff (1895-1984), tantas vezes reproduzida em momentos televisivos em que se tenta criar um clima de mistério e até mesmo em propaganda de biscoito. É uma pena que o conteúdo de sua letra, uma reflexão sobre a impermanência da sorte, não é também tão conhecido. “O Fortuna” integra a cantata cênica Carmina Burana (1936), obra composta por Orff sobre alguns cantos anônimos medievais escritos por cultos clérigos que, além de talvez comporem hinos sacros, vagavam compondo canções que, muitas vezes, destilavam veneno e sátiras às hipocrisias da sociedade, à própria Igreja e exaltavam os prazeres do amor, da mesa e dos jogos. “Boa parte da poesia profana da época …

Natureza e coisa # 02

(2014)
Sei que nossas coisas são filhas das coisas da natureza.
Mas sei também que são diferentes e nos moldam diferentemente.
Sei que barulho e silêncio coexistem. Respeito.
Mas silêncio e barulho nos moldam diferentemente.
E sei que o barulho da natureza não é barulho.
E o das máquinas é.

Budista?

... Novamente fizeram-me um questionamento sobre budismo:

- Você é budista? - Não. Não sou budista, pois não sou nem eu, quanto mais alguma coisa.

Esta é uma forma budista de não sê-lo.


Evangelho da revelação do Menino-Polvo

(Revelado em Junho de 2013)

Capítulo 1
1Ouça. Não duvidais. 2Este é o relato do ouvido. Não da vontade. 3Assim ouvi. Assim dou fé.
4Eis que estavam surdos. Mas havia aqueles que ouviam. 5Para aqueles, mas também para estes, veio a nós o Menino.
6Poucos davam fé, por ser menino. 7Mas eis que o Menino pronunciou-se.
8Estava então o Menino no meio de nós.
Capítulo 2
1Um dia estava o Menino em seu lar, no colo de sua mãe. 2E disse: mulher, aquele que gritara Vergonha estava correto no propor.
3Em verdade vos digo: Peixe é os animais, polvo é os animais, galinha é os animais, vaca é os animais, porco é os animais.
4Por aqueles que não se envergonharam haverá choro e ranger de dentes. 5Mas ela não entendera.
Capítulo 3
1Era ceia e o Menino aceitou o convite de sua mãe, pois sabia que era chegada a hora. 2Ela lhe disse: meu filho, come teu nhoque de polvo, 3ao que ele respondera: está bem, mulher, mas este polvo não é de verdade? 4Ela mentiu-lhe e ele soube, pois era o Menino. 5Indagou-lhe sobre a cabe…